quinta-feira, 29 de maio de 2014

Ser "Ginete": Um modo de vida

A vida está constantemente a surpreender-me!
Há sempre coisas novas a acontecer, experiencias para viver, momentos inesquecíveis… basta ter abertura para deixar fluir!

Os dias de hoje são muito caraterizados pelo individualismo, a solidão.
Todos conhecemos alguém que, mesmo rodeado de gente, é uma pessoa só!
Às vezes tenho necessidade estar sozinha, é verdade.
De “estar”! Não de “ser”! Estar “só” é opção, ser “só” é condição involuntária de vida.

A família é sempre o refúgio! O colo, o aconchego. É vital!

Desse aconchego também faz parte a dança!
A minha Ritmus, mulheres maduras, esposas e mães que recusaram a render-se à inércia e ao conforto do sofá! A Mix, Corpus e Sibilas que são as nossas filhas e que nos vêm como parceiras, amigas e mãezocas! A família “Ginetes”.

Com a nossa matriarca Gina no comando, temos conseguido coisas fantásticas!
A mais fantástica de todas é sentir a união das 4 classes como se de uma só se tratasse.
Somos mesmo uma família, com as turras e tudo! Mas essencialmente, uma família que se une em prol de algo maior! Às bailarinas juntam-se os pais, os filhos, os maridos, os avós, os irmãos… sem eles não era possível chegar onde chegamos. O apoio que vem de casa é tão importante como as aulas, os espetáculos e os saraus. Sem esse apoio, muitas de nós não poderíamos ser “Ginetes”

A idade, o peso, a altura, a flexibilidade, etc, são características e não limitações. Cada uma dá o tem de melhor e faz de cada dificuldade uma oportunidade para ir mais além!

Ser Ginete tem-me permitido vivenciar o que nunca pensei possível!
Se me dissessem que iria ser atleta federada, dançar numa sala de espetáculos, ir à televisão, cantar com uma orquestra, etc, eu diria que estavam a falar de outra pessoa. Mas não! Sou mesmo eu! E por certo todas terão momentos assim, inacreditáveis.

Alegria, cor, movimento, expressão! É possível pessoas “normais” fazerem coisas extraordinárias!
Digo sem modéstia que esta família tem nos outros um maior impacto do que nós podemos imaginar.

Os dias de hoje são muito caraterizados pelo individualismo e aí marcamos a diferença. Somos um! Unidade que respeita o individuo mas que consegue respeitar também o coletivo e vivencia-lo de um forma especial!

Ser Ginete: Um modo de vida

quinta-feira, 15 de maio de 2014

“Deixo-vos a paz”

Perante os nossos corações atribulados
Ensinas a viver, para que não tenha medo
Vidas escuras por todos os lados
A Tua palavra é luz e isso não é segredo

“Deixo-vos a paz, a minha paz que vos dou
não vo-la dou como a dá o mundo
Não se turbe o nosso coração
Nem sinta um temor profundo


“Deixo-vos a paz, a minha paz que vos dou
não vo-la dou como a dá o mundo
Façamos brilhar a Tua luz
Uma luz de amor! De amor fecundo!

A cada passo insensato que dou
Refazes a minha vida, vens-me resgatar
Dás-me Jesus que me salvou
Dás-me a mão neste meu caminhar

Que brilhem como o sol nascente
Aqueles que amam o Senhor.
Que Te sinta sempre em mim presente
Que viva e reparta o Teu amor

sexta-feira, 7 de março de 2014

Olhar para dentro.


Olhar para dentro...
Quantas vezes me atrevo?
Sim!
Quantas vezes me atrevo a olhar para dentro?
Olhar-me olhos nos olhos, descobrir em que penso e no que verdadeiramente sinto, sem medo do que vou encontrar.
Tendo a manipular o pensamento e o sentimento para pensar e sentir o que devo e não o que quero.
O que me forço a pensar e sentir vai condicionar o que digo e faço...
Não! não estou a falsear o meu "eu".
Estou só a ser quem devo. Se quero ser essa pessoa? Quero! Essa pessoa sou mesmo eu de verdade, não estou a fingir!
Agora... eu também estou na gargalhada mais alta, no corar com um piropo ouvido ou dito, no chorar de paixão ou de raiva, no canto, no movimento, no grito ou nos silêncios, no descontrolo...
Quando realmente penso e sinto o que penso e sinto, aí também estou eu.
Qual dos dois é mais genuíno? O "eu" racional ou o "eu" mais emotivo?
Só tenho uma resposta: ambos!
Estamos na Quaresma: tempo de "olhar para dentro", refletir, silenciar ruídos!
Só silenciando cá dentro é possível ouvir os sons que vêm de fora... é tão enriquecedor misturar o que temos com o que apreendemos!
Shhh! Silencio! Escutar! Escutar-se! Será que vou conseguir?
Na Quaresma também é tradição não comer carne à Sexta-Feira. (Sabem porquê? Se não, tentem saber. É interessante! Não, não vou contar! Trabalho de pesquisa, meus amigos!)
Uma boa forma de olhar para dentro pode passar por aí, pelo que comemos. Em vez de torcer o nariz ao peixe porque o que estava a apetecer era um bife com batatas fritas, dê-mos graças a Deus por termos opção de escolha, por termos alimento!
Olhar para dentro: podemos até ter receio do que vamos encontrar mas vale a pena!
Hoje, isto que escrevo faz todo o sentido na minha cabeça.
Amanhã?
Talvez nem saiba porque o que escrevi.
Mas não me importo!
Olhei para dentro!

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Que o mundo que carregamos aos ombros traga a luz ao nosso caminhar...


Não, não sou forte
Quero ter direito à fraqueza
Direito ao medo da morte
Direito à minha tristeza
As lágrimas que cortam o rosto
Arrastando o preto do rímel
Serão alegria? Desgosto?
Doce sabor ou amargo fel?

Carrego o mundo aos ombros
Exigência de postura, retidão!
Proíbe-me a vida os tombos
Obriga-me à perfeita perfeição
Não, não sou forte
Sou como todos, sou mais uma
Tentando o equilíbrio, o porte
Salto alto, aroma que o ar perfuma

Um sorriso rasga-me o rosto
Rosam-se as faces à timidez
Um som de riso bem posto
Felicidade? Desfaçatez?
Pesa-me o mundo nos ombros
Oro a Deus, Ele segue comigo
Levanto a vida dos escombros
Por saber que neles mora perigo


Sorrir por fora não vale
Se o interior não sorrir
Por mundo que caminhe ou pedale
Sei que tenho, que vou conseguir!

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

“Adapta-te”

                                                   
Recebi como lembrança (ou acção de marketing) uma “cartilha” cuja capa está repleta de “Adapta-te”.

Não entendo se é dito em tom de ordem, de conselho, de necessidade, em voz alta ou em voz baixa. Para o caso, não é importante.
Facto é que, de tantas vezes ser dito, podemos ser levados a pensar que é fácil ser adaptável. Pois eu digo: não é!
Adaptar é como pegar no meu “eu” de origem e fazer um re-mix para obter um “eu” diferente, sem que esse “eu” diferente deixe se ser “eu”. Confuso?

A propósito das adaptações que temos de fazer ao nosso eu ao longo da vida, partilho uma história real que de tão fantástica parece imaginada.

Há uns anos, recebi um telefonema: anunciavam-me que tinha sido selecionada para participar numa entrevista aos Xutos & Pontapés. Foi por altura dos 30 anos de carreira da banda.
É verdade que tinha concorrido e que havia essa possibilidade. No entanto, não deixei de ficar pasma, tonta, em choque (e outras coisas) com a notícia.
Pus-me a caminho com a minha pergunta a tiracolo.

Ali estavam eles: Os Xutos! O animador que conduzia a emissão, também ele tenso e nervoso, grande fã da banda, posicionava-se ao meio. Começou a aventura!
Treze sortudos, selecionados entre dezenas, iam desfiando as perguntas recebendo de volta as respostas dos monstros.
 
Depois de me adaptar para não fazer má figura nos meus dois minutos de fama, perguntei:
 
“Eu não sou o único… é um jogo do empurra, uma teimosia, ou o assumir do papel de homem do leme num remar, remar coletivo neste mundo ao contrário?”
 
Este jogo de palavras provocou algum “bruá” na sala, os Xutos olharam uns para os outros com "cara de ponto de interrogação" e depois de uma pequena pausa lá consegui uma resposta onde se assumiu a teimosia para seguir em frente!
Teimosia ou persistencia? Depende se se quer encarar essa atitude como negativa ou positiva…
Foi um fim de tarde inesquecível. Os diálogos, as fotografias "em família", os autógrafos, os cumprimentos, a música, o ambiente…

Algures no meio deste turbilhão, terei de assinalar que ao fim de algum tempo e de uns quantos e-mails, cruzamentos e desencontros, pude rever um amigo que tanto me ouve (lê) e com quem tanto desabafo. Uma Radio Star bem terrena e real. Uma amizade que dura há 10 anos!
É estranho como falamos tanto por escrito e como nesse dia me encontrei vazia de assuntos. Diz o povo que quem fala pouco acerta, por isso talvez seja melhor assim.
Quantas vezes o que não é dito também se afigura importante?
 

 

Janeiro 2014
(5 anos depois da foto, nos 35 anos de carreira dos Xutos & Pontapés)
 

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

As linhas da vida

Às vezes ficamos presos nas linhas da vida, receando não ter forças para desenhar outras palavras, mudar o rumo da nossa história.
Há que arriscar, vencer os medos, libertar cada personagem que somos e saltar!
Só assim "o mundo pula e avança".
O mundo pequenino que há em cada um de nós é tão grande e tem tanto para descobrir!
Falar é fácil!
Basta acender a televisão e não faltam comentadores políticos, desportivos, de economia!
Dizem umas balelas, constroem teorias, afiguram-se salvadores da pátria, dos relvados e das finanças publicas e privadas. Parece tudo tão simples!
Dou por mim a pensar o que teriam a dizer os comentadores sobre a minha vida e as minhas opções...
Estou certa de que poderia encher um baú de bons conselhos e sugestões!
O que gostaria mesmo era de os ver na minha pele! Sim, a viver a minha vida! Estariam assim tão cheios de certezas?
Uma das minhas frases de eleição é "Se te der um gato, preocupas-te com as 7 vidas dele e deixarias a minha em paz?" Há sempre tanta gente pronta para apontar a dedo todas as falhas! Há sempre tão bons comentadores, tanta gente com a certeza absoluta de que fariam diferente e melhor!
O mundo pequenino que há em cada um de mim é tão grande e tem tanto para descobrir!
As descobertas, tenho de ser eu a fazê-las. Não há outra forma!
Descobertas de riso, de choro, de encantamento e desencantamento!
Às vezes fico presas nas linhas da vida. Sem força, sem direção, sem saber como seguir em frente!
Há que arriscar, vencer os medos, libertar cada personagem que sou e saltar!
Se a queda for difícil e empoeirada, a única saída é levantar, sacudir o pó e saltar de novo!
Falar é fácil! É, mas...
Só assim "o mundo pula e avança".

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Resolução para o novo ano...

E eis-nos no novo ano…
A cada ano que começa proliferam mensagens de felicitações, balanços e desejos trazidas em forma de frases feitas ou criativas, sempre com a ideia de que “este ano é que é!”

Se a vida mudasse por mudar o calendário seria tudo muito mais fácil mas muito menos autêntico! O desejo de mudar ou permanecer, ser diferente ou igual, tem de vir de dentro!
O querer ser melhor a cada dia tem de ser algo contínuo e não um episódio que ocorre na passagem de ano entre doze passas e um golo de champanhe!
Não sei se este ano vou ser uma melhor pessoa, não sei se vou contribuir para a felicidade dos outros, não sei o que vou fazer…
Sei que vou viver!
Viver cada dia, não como se fosse o ultimo mas como mais uma peça da minha vida-puzzle.
Gostava que no fim da vida (daqui a muitos, muitos anos e muitas, muitas peças) quem olhasse para as peças encaixadas do meu puzzle vislumbrasse uma bela imagem!
Eu sou esta criatura despenteada, cheia de fios de cabelo rebeldes que envolvem uma cabeça cheia! É isto que sou e se algo mudar em mim não vai ser a minha essência.
Resolução para o novo ano: em 2014 vou continuar a deixar-me despentear pela vida!